Como alugar uma casa em Londres

 

Alugar casa em Londres é uma missão. Não impossível, mas que exige muita procura, paciência e, às vezes, sorte. Depois de alguns anos de experiência, decidi fazer este post em formato de guia e compartilhar algumas dicas com quem está na procura. Começando pelo básico (custos, tipos de casas e áreas) até como negociar o valor do aluguel e aumentar as chances de ter sua oferta aprovada. Vamos lá?

1) Defina o orçamento
Parece óbvio, mas por ser Londres, uma cidade em que o aluguel é tão caro, esse é o primeiro passo. Seja realista e pense não só no que você quer, mas no quanto pode pagar. Existem vários sites de busca de imóveis (no final do texto vou deixar alguns links) que são um bom ponto de partida para você ter uma ideia de preços. De maneira geral, um apartamento de um quarto, na zona 2, não sai por menos de 1,200 libras o aluguel, mais as contas. Lembre-se que no primeiro mês você tem que pagar o aluguel adiantado e depósito (geralmente seis semanas).

Está fora do seu alcance? Você não está sozinho. Há muitas pessoas, muitas mesmo, que começam a vida na cidade morando em casas compartilhadas – você tem seu próprio quarto, mas divide a cozinha e a sala, às vezes, até o banheiro. Não é o ideal, mas é mais barato, especialmente porque quase sempre as contas já estão inclusas no valor do aluguel do quarto. Um quarto duplo, na zona 2 custa em média 900 libras por mês.

2) Qual a melhor área?
De uma maneira beeem generalizada, a zona oeste de Londres é mais residencial, no norte estão as áreas mais caras, enquanto o sul e o leste tendem a ser mais em conta e mais agitados, o leste principalmente é ótimo para um público mais jovem.

Mas a área em que você vai morar depende do seu orçamento e necessidade. Quanto mais perto da zona 1 você estiver, mais caro vai pagar. E menores os imóveis tendem a ser. Minha dica é colocar na balança os custos e os benefícios. Lembre-se que não só o aluguel será mais caro nas zonas centrais, mas o imposto (council tax) também. Por outro lado, se você trabalha no centro, vai gastar menos com o metrô já que Londres é dividida em zonas (1 a 6) e quantos mais zonas você atravessa para chegar ao centro, mais caro é. É tudo questão de colocar os gastos na ponta do lápis.

3) Explore novos bairros 
Não tenha medo de sair explorando por aí. Em sites como Rightmove, você pode colocar o valor que pode pagar, a área que deseja e terá todos os imóveis listados. Mas não se limite a isso. Você também pode pesquisar pela distância que a casa deve ser do seu trabalho, em tempo de viagem no metrô, por exemplo. Expandir suas possibilidades aumenta as chances de encontrar algo bacana.

4) Não se assuste com o que encontrar
O mercado imobiliário de Londres é uma loucura. Tem muita opção. Muita coisa boa, muita coisa que nem de graça você aceitaria. Sem exageros! Já fui visitar um “apartamento” que o aluguel era 1,000 libras por mês. Parecia um achado! Chegando lá, era uma garagem, literalmente, transformada em um quarto com uma cozinha minúscula. Foi a primeira e a última vez que marquei uma visita sem ver fotos antes. Tem também aqueles imóveis que na foto parecem lindos, você chega lá e está caindo aos pedaços, além de ser bem sujo. Prepare-se para encontrar muita coisa ruim até achar seu lar doce lar. Pode ser (e eu espero!) que você dê sorte, mas é cada coisa que a gente vê por aí…

5) Marcando sua primeira visita
Depois de algumas horas de busca online, você achou algo bacana e liga para uma imobiliária para marcar de ir ver. É aí que começa a segunda parte da aventura. Corretor aqui tem fama de ser o tipo de pessoa em que você não confia. Que me desculpem os certinhos, mas a fama muita vezes é justa. Principalmente com a dificuldade de marcar um horário para ver imóveis. Se eles tem um cliente em potencial, não vão te dar muita bola. Dizem que vão retornar a ligação para marcar um horário, mas nem sempre ligam. Não espere pela boa vontade alheia. Fique no pé se realmente tiver gostado do imóvel e não quiser perder para outra pessoa. Quanto antes você visitar o lugar, mais chances tem de fazer uma oferta na frente e alugar antes de outra pessoa. Já aconteceu de eu marcar uma visita e ter mais casais visitando a casa na mesma hora. Não achei muito legal, mas aparentemente aqui é até que comum.

6) Vi um imóvel, gostei e fiz a oferta. Já é meu?
Nem sempre. Depois da visita, é normal te falarem que tem mais gente interessada na mesma casa. Muitas vezes é verdade, aliás, tem muita gente procurando casa por aqui. Mas também pode ser papo furado só para te fazer oferecer um valor maior no aluguel. É comum haver uma negociação. Dica de quem já passou por isso: estabeleça um limite máximo que você pode pagar, mas nunca fale para o corretor o real valor. Sempre fale um pouco menos. Assim você tem como negociar. Ah, e desconfie se a negociação virar um “leilão”, em que sempre tem alguém oferecendo mais do que você. Lembre-se que o corretor está ali para fazer você pagar o máximo pelo imóvel. Se for pagar um depósito para segurar o imóvel até que sua oferta seja aceita, certifique-se que poderá ter o valor de volta caso a proposta não seja aprovada. Se isso acontecer, é hora de começar a busca tudo de novo…Caso a oferta seja aprovada, pule para o próximo tópico!

7) Quase lá…
Oferta aprovada, é hora de checar suas referências e seu crédito (o famoso credit check). Basicamente, a imobiliária quer saber se você pode pagar o aluguel, se está em situação legal no país, entre outras coisas. Mande todos os documentos para aumentar as chances de ter a oferta aprovada. Você paga uma taxa para eles verificarem suas referências e, se der tudo, certo, é só assinar o contrato e preparar a mudança.

Sites de busca:

  • Zoopla e Rightmove – Os mais tradicionais. Tem muitos imóveis, você pode salvar suas buscas e ter o aplicativo no celular também.
  • Find Properly – É mais focado para quem é novo em Londres ou não sabe a área que quer morar. Mostra os mercados que tem no bairro, por exemplo.
  • Open Rent  – Esse é bem legal porque você não paga as taxas da imobiliária, já que faz tudo direto com o landlord, ou seja, o dono do imóvel. Porém, não tem tantas opções como os outros acima.
  • Spare Room – O mais tradicional para achar quartos em casas compartilhadas

Espero ter ajudado com alguma informação e qualquer dúvida é só deixar nos comentários. E se eu puder te dar um último conselho: não desanime por conta dos preços ou do mercado competitivo. Londres vale a pena!

Post publicado originalmente no site Brasileiras pelo Mundo, para o qual colaboro mensalmente.

Como mudei de área de trabalho ao vir morar em Londres

Hoje vou falar sobre um assunto bem popular aqui no blog, que envolve o mercado de trabalho para jornalistas fora do Brasil. Ou, melhor dizendo, como eu ganhei uma nova profissão quando vim morar em Londres.

Muitas pessoas da área me perguntam se tem oportunidades para jornalistas aqui e sempre escrevo uma resposta gigante explicando o que eu faço agora, então decidi que seria mais prático criar um post. Pois é, recebo um número considerável de mensagens, o que também me surpreende, uma vez que, como vocês podem ver, não tenho tempo de postar sempre e não sei mesmo como as pessoas ainda acham meu blog, que nem está tão otimizado para SEO assim. Eu poderia fazer muito mais…começar no mínimo com uma pesquisa de palavras-chave, entrar no Google Analytics para analisar o tráfico e a CTR, buscar backlinks…

Não tem ideia do que eu estou falando? Rá! Chegamos no assunto do post: como deixei o jornalismo “de lado” para entrar para a área de marketing digital, mais especificamente, para trabalhar como especialista de SEO (Search Engine Optimisation). Antes de falar um pouco dessa área, vamos voltar um pouco a fita.

Cheguei aqui mal sabendo entender o inglês britânico, estudei e cheguei até ter um nível de idioma legal para começar a procurar emprego na área – quem trabalha com comunicação precisa saber se comunicar.

Ainda assim, não sentia que meu inglês era super top para conseguir escrever laudas e laudas para um jornal / revista em tempo recorde (só quem trabalhou em uma redação sabe a pressão que é, o tempo é sempre curto e por aí vai). Não me sentia preparada e, para ser bem sincera, já estava cansada de redação – trabalhar muito, ganhar pouco, etc. Então quando me perguntam se tem bastante vaga para jornalista aqui, a verdade é que eu não sei porque nem procurei!

Saí do Brasil com a ideia de mudar de área. Jornalismo sempre será a minha profissão, mas eu queria algo novo. Algo mais estável, algo que envolvesse online, que fosse mais moderno…mas ainda não sabia o que era esse algo. Comecei com market research (pesquisa de mercado) e apesar de achar a área interessante, não era para mim. Precisava escrever, é o que me dá prazer em fazer. E uma carreira analisando tendências de mercado não me apateceu.

Foi pesquisando na internet sobre áreas que envolvessem conteúdo e o universo online que cheguei na área de marketing digital, que é bem ampla, mas cheguei na área de SEO. Search Engine Optimization trabalha com a otimização de sites para a ferramentas de busca, no caso, o Google. Dentro de SEO temos a parte técnica e a parte de conteúdo. A última é bem importante, já que um dos principais critérios para ter um bom desempenho no Google é ter um conteúdo de qualidade. Era isso!

Algo que envolvesse online + escrita + estabilidade (e também mais dinheiro). A partir daí, fiz meu currículo voltado para essa área, pesquisei muito na internet sobre o básico de SEO (tem muito curso online de graça) e fui à luta. Acho que uns dois meses depois, procurando em um site para estágio em Londres, consegui um estágio em SEO em uma agência de marketing digital que atendia o mercado brasileiro – difícil começar do zero depois de cinco anos de carreira, mas isso é assunto para outro post. Escrevia textos em português para nossos clientes focando em SEO, basicamente, utilizando palavras-chave e seguindo as boas práticas do Google para ter resultados nos rankings. Meu background em jornalismo me ajudou muito nessa minha nova profissão porque o Google não quer que você escreva para ele, mas, sim, para seus usuários.

Nunca fiz um curso nessa área, mas a agência em que trabalhei como estagiária foi a minha escola. Eles tinham muitos treinamentos internos (até prova a gente tinha que fazer). Fui aprendendo, indo em eventos, lendo sobre o assunto e gostando cada vez mais dessa área.

Já faz mais de dois anos que deixei o estágio para trabalhar como especialista em SEO na área de conteúdo para a IKEA, uma loja de móveis e acessórios para casa diferente de tudo que existe no Brasil – é mundialmente conhecida, infelizmente não ainda no Brasil. Cuido do mercado do Reino Unido e da Irlanda analisando as tendências de buscas no Google, dando ideias e produzindo conteúdo para os sites da empresa. Trabalho com uma equipe onde tenho não colegas, mas amigos. E aprendo muito a cada dia. Enfim, não me arrependo da mudança que fiz. O jornalismo? Fica para os meus freelancers, que sempre tô fazendo aqui e ali.

O que quero falar com tudo isso é que a área de marketing digital é bem vasta e tem muitas oportunidades para quem está disposto a aprender e topa dar uns passos para trás na carreira para depois progredir. Com paciência, dedicação e muito trabalho a gente chega lá. Espero que tenha esclarecido um pouco mais sobre essa área, mas se ainda resta alguma dúvida me deixe um comentário que terei o maior prazer em ajudar.

Ah, quer saber um pouco mais sobre SEO mas não tem ideia por onde começar? Comece por aqui: Moz – Beginners guide to SEO.

O que aprendi em cinco anos de Londres

Nunca gostei de falar muito de mim. Acho que é um exercício que vem da profissão de jornalista – olhar para um texto e ver se tem muito “eu”. Mas, às vezes, a gente tem que falar um pouco da gente – e quando digo isso, me refiro às nossas experiências – para transmitir de verdade aquilo o que quer passar.

Falar sobre morar em Londres por cinco anos é uma dessas circunstâncias que pedem para a gente deixar o lado particular um pouco de lado e compartilhar, de verdade, essa “vida loka” que é a vida de expatriada. Hoje vou falar um pouco sobre o que aprendi (ou o que acho que aprendi) quando olho para trás, mais precisamente em 2012, e lembro da intercambista deslumbrada que nunca tinha saído do país e que veio parar logo em Londres. Por que “logo em Londres”? Bom, já entrando no âmbito pessoal, porque Londres é a melhor cidade do planeta para mim.

Morar em Londres

Não pelas razões óbvias: por ter uma arquitetura incrível, por respirar cultura, por ser tão cosmopolita que parece mesmo o centro do mundo, por isso e por aquilo… não são apenas essas características, que no meu caso, fazem de Londres o melhor lugar. Mas sim porque foi aqui que testei limites que jamais pensei que seriam testados, conheci pessoas com as quais nunca imaginei que teria amizade, cresci e aprendi muito. Um pouquinho desse aprendizado será compartilhado aqui com vocês:

Longe de ser perfeito
O mais engraçado de tudo isso é que eu nunca quis vir pra Londres. Nunquinha. Meu sonho sempre foi alguma cidade dos EUA, Nova Iorque, Boston ou, sei lá. Pensei no Canadá também. Londres era a última opção (mentira, também não queria a Austrália porque era muito longe!). O que eu concluo com isso é que, às vezes, a gente fica tão preocupado que o intercâmbio tem que ser naquela cidade e tudo tem que sair tão perfeito, que esquece de levar em conta que não importa para onde você vá, aprenderá muito mais do que o idioma! Quando a gente faz um intercâmbio o idioma é apenas um souvenir, tamanha a bagagem que a gente carrega quando volta para casa.

Destino saudade
Uma coisa muito doida, aliás, é que quando eu cheguei aqui, vivia pensando na hora de ir embora. Não queria que o tempo passasse, porque queria aproveitar. Por outro lado, não via a hora de rever a família. Mesmo depois de cinco anos, ainda não aprendi a me sentir diferente. Não sei quando foi, mas teve uma hora em que eu estava morando fora do Brasil há tempo suficiente para saber que seria difícil estar completa em um só lugar. A saudade vai sempre existir na vida de quem se aventura por aí. Pode ser de um restaurante, do seu parque favorito, de momentos e das pessoas que você acaba conhecendo no seu novo lar. Claro que quando estou no Brasil de visita, eu nem penso muito em Londres, porque sei que vou voltar, mas já tive a chance de passar seis meses no Brasil depois de morar fora por quase dois anos e só pensava no dia em que eu voltaria pra cá. A gente cria vínculos e tem coisa que sempre vai fazer falta.

O pouco vira muito
Mas, claro, não tem falta maior do que nossa família perto da gente. E como a gente aprende a dar valor a isso. Sempre fui muito observadora, mas é impressionante como toda chance que eu tenho de estar perto da minha família, é também quando aproveito para guardar na mente momentos pequenos, por mais simples que sejam, mas que me fazem feliz. Coisas do cotidiano viram luxo para quem mora longe. Café da manhã com pão fresquinho da padaria, um sorvete no parque, uma tarde jogando conversa fora. Dessa última vez fui no shopping com a minha mãe comprar sapatos, acho que foi um dos melhores momentos em três semanas de viagem! Aqui fora a gente acaba aprendendo a ficar mais forte, mesmo sem ter perto da gente as pessoas que nos dão força no dia a dia. Conviver bem com a saudade é o mandamento número um para termos uma vida boa quando moramos longe de casa. Nem sempre é fácil, acho que o primeiro ano é o mais difícil por todas as dificuldades e diferença cultural, mas a gente chega lá.

100% Brasil
Outro aprendizado que tive, logo no primeiro mês, foi não ter medo de ter amizade com brasileiros. Fiquei um pouco decepcionada quando, já estando aqui em Londres, fiquei sabendo que moraria em uma casa só com estudantes brasileiros. Sim, eu tinha vindo para ficar dois meses e queria aprender inglês. Mas ouso dizer que se não tivesse conhecido aquelas pessoas, talvez não estivesse aqui hoje. Foram elas que me deram dicas de como me virar, de como eu podia encontrar escolas mais baratas para estudar, de quartos em casas melhores, de onde vender meu notebook quebrado para não ficar tão no prejuízo. Claro, a gente acaba aprendendo de uma forma ou outra, mas hoje em dia, mesmo sabendo me virar bem aqui, as amizades brasileiras continuam sendo super valiosas. Bater papo na sua língua, de vez em quando, não tem preço!

Bem, comecei esse post achando que falaria mais de assuntos práticos, como emprego, casa, etc. mas acabei indo mais para o lado emocional e de sentimentos (acho que faço até bem em não escrever textos muitos pessoais!) mas, de verdade, acho que isso faz sentido. Se a gente estiver bem nessa parte, dá para encarar qualquer coisa não é mesmo? Espero ter conseguido compartilhar pelo menos algo de útil com quem também tem esse sonho de morar fora ou está no mesmo barco que eu. Escreva para mim nos comentários, vou adorar saber!

 

Ps: texto originalmente publicado no site Brasileiras Pelo Mundo.

Por que janeiro tem fama de ser depressivo na Inglaterra? 

Quando decidi escrever sobre o que acontece no mês de janeiro aqui na Inglaterra, meu primeiro desafio foi: como fazer isso sem parecer muito negativa? Afinal, o mês já tem a fama de ser depressivo por si só.

Talvez o termo “depressivo” seja um pouco forte, mas é mesmo um mês mais chatinho por diversos motivos. Em poucas palavras, se dezembro é a sexta-feira dos meses, janeiro é a segunda. Não dá para falar sobre janeiro e não mencionar esse clima de fim de festa generalizado.

Não é só ponto de vista de expatriada, não. Pergunte a qualquer inglês e provavelmente terá a mesma resposta. Mas por que essa má fama? Vou falar aqui sobre minhas opiniões e talvez muita gente vai concordar comigo, talvez muita gente vai achar que sou exagerada. Em todo caso, parto do princípio que estamos todas no mesmo barco!

Manhãs de inverno: 7h30 da manhã e céu ainda escuro

Para início de conversa, o inverno ainda está longe de acabar. E vamos combinar que, se nem quem é inglês acha o inverno uma maravilha, eu, vindo de um país tropical, não sou obrigada a gostar, não é mesmo?

Além disso, muita gente gastou bastante dinheiro no mês anterior e está tendo que controlar mais os gastos, além do fato de todo aquele clima de festas, Natal e Ano Novo, ter chegado ao fim. O que sobra é o frio e um mês parado, sem muitos compromissos na agenda. Os dias são mais curtos e escuros por mais tempo – três da tarde parecem nove da noite – e não temos mais as luzes de Natal para nos animar.

O assunto é tão sério que, não só aqui, mas também em outros países, geralmente a terceira segunda-feira de janeiro é conhecida como Blue Monday, o dia mais depressivo do ano. É um dia que trata exatamente desse desânimo generalizado, por onde você anda e com quem você conversa, parece todo mundo estar no mesmo barco, meio pra baixo.

A ideia começou a circular em 2005, quando uma empresa de turismo afirmou ter identificado a data usando uma equação. Não se tem provas de que isso realmente seja verdade, mas sabe aquela coisa que, mesmo a gente não acreditando muito, nos afeta? Oras, se ao meu redor, entre um grupo de amigos ou colegas de trabalho, tá todo mundo falando que aquele é um dia ruim, aquela energia acaba pegando. Eu, hein!

Mas então, o que fazer para que janeiro não seja um mês down? Sou da opinião que o tipo de pensamento determina como vai ser seu dia, acho que o mesmo vale para o mês. Aqui entra aquela dose de positividade que a gente tenta mentalizar bem forte. Reclamar não adianta nada, então, vamos à luta!

Por exemplo, janeiro é o início do ano, uma ótima oportunidade para tirar do papel a famosa lista das resoluções de Ano Novo. E se você reclama que está sem dinheiro, que tal aproveitar para passar mais tempo em casa, preparando uma receita diferente ou lendo aquele livro que nunca teve tempo para ler? Dizem que as melhores coisas da vida são de graça. Pode parecer papo furado, mas depois da correria das festas de fim de ano, fins de semana no aconchego do lar não parecem uma ideia tão ruim assim.

Ainda não se convenceu de que janeiro pode ser um mês empolgante? Que tal fazer como muitos ingleses e se juntar ao movimento do Dry January?

Um mês sem beber: o Dry January

Ou janeiro seco, traduzindo literalmente para o português. É um projeto que envolve saúde e caridade ao mesmo tempo. Muitos ingleses dão uma pausa nos pints (veja abaixo) e pedem doações em apoio a uma causa – o dinheiro é doado para caridade, claro. A ação é bem forte na Inglaterra, começou em 2012 com uma inglesa que decidiu parar de beber por um mês depois das festas de fim de ano e viu muitos benefícios. Algum tempo depois, ela levou a ideia para a Alcohol Concern, uma instituição que alerta sobre os riscos do álcool (lembrando que aqui as pessoas bebem muito, um copo de cerveja, o “pint”, tem 568ml).

O projeto cresceu tanto que, hoje em dia, tem até um aplicativo para você medir os efeitos de ficar sem álcool por um mês e milhões de pessoas já participaram, de acordo com o site oficial. Ainda de acordo com o site, 79% das pessoas afirmam terem economizado dinheiro e 49%, terem perdido peso.

Há quem diga que ficar um mês sem beber é o pior pesadelo, há quem diga que é a melhor coisa da vida. Os curiosos só vão saber se um dia tentarem, não é mesmo? Mas não há dúvidas que a ideia pode trazer um desafio a este mês que tem a fama de ser tão chato.

Seja como for, sem dúvida, é um desafio e talvez uma forma de começar o ano de maneira mais positiva, ajudando os outros e cuidando mais da saúde.

E então, qual é a sua ideia para tornar janeiro mais atraente? Ou, se você gosta do mês, escreva nos comentários.

 

Natal em Londres e as tradições inglesas

Faz tempo que não passo por aqui (culpe os milhares de eventos de final de ano). Mas não poderia deixar de falar sobre Natal aqui no blog! Na verdade eu, particularmente, estou falando de Natal desde o fim de outubro! Acho que é um dos meus feriados favoritos.

Claro que, para quem mora fora, pode ser uma época ainda mais complicada no quesito saudade, por estar longe da família. Mas, mesmo assim, o que não pode faltar é vontade de comemorar. Ainda mais que Londres tem uma atmosfera mágica no período das festas. Faço questão de ir aos eventos natalinos e no ano em que fiquei aqui, durante as festas, pude conhecer mais de perto como os ingleses comemoram a data.

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Luzes na Oxford Street: como não amar?

Se este é seu primeiro Natal aqui ou se você pensa em vir para cá um dia nesta época, vai encontrar muitas tradições parecidas, mas algumas são diferentes; às vezes, nos pequenos detalhes. Reuni neste post as principais diferenças para você já ir preparando as comemorações:

Contando os dias

O calendário do advento é muito comum aqui. Provavelmente você vai ganhar um (ou vai comprar para si mesmo). Os mais populares são os com chocolates dentro, em que você abre o seu chocolate, a cada dia, a partir do dia 1 de dezembro, até o dia do Natal. Há alguns com cosméticos e produtinhos de beleza, mas se você me perguntar, o de chocolate é bem mais interessante! Só não vale comer mais do que um por dia.

Amigo secreto, literalmente

Um detalhe importante que, se você não souber, corre o risco de pagar mico – aqui a ideia de ter um amigo secreto, é secreto mesmo. Você coloca o nome da pessoa que tirou na embalagem do presente e o coloca em uma pilha junto com outros presentes. Então uma pessoa do grupo se encarrega de entregá-los, e assim, você não sabe quem te tirou e nem precisa falar quem era o seu amigo secreto. Eu não sabia disso e na hora da brincadeira, acabei contando quem eu tinha tirado – até um cartão eu tinha feito, poxa! Os gringos acharam que eu não sabia brincar, e eu achei a brincadeira do jeito deles sem graça!

Entrando no clima

Como já sabemos, é inverno na Europa em dezembro. E se a gente parar para pensar, o clima influencia muito na comida, hábitos e até no nosso humor. Aqui o Natal é para ser curtido dentro de casa, em um ambiente bem aconchegante, perto de uma lareira se possível e usando um Christmas jumper, que nada mais é que um moletom ou blusa de lã com uma estampa natalina – tem até competição de quem tem o Christmas jumper mais criativo. Na hora do jantar, até rola dar uma produzida no look, mas nada comparado ao que fazemos no Brasil.

Esqueça a véspera

Natal na Inglaterra se comemora dia 25 de dezembro. Nada de ceia no dia 24 – aliás, quando eu explico sobre a nossa ceia eles acham o fato de a gente esperar meia-noite para cear super estranho! Aqui dia 24 é dia de você ir para o pub e balada com seus amigos. Dia 25 e 26 são os dias com a família. O dia 26 é o Boxing Day, uma continuação do feriado e dia em que acontecem as mega liquidações por aqui. Para quem vai às compras, é um prato cheio.

O jantar de Natal

A ceia geralmente é servida no período da tarde do dia 25. O peru ainda é tradicional, juntamente com a carne de carneiro. São ingredientes dos típicos roast dinner – um assado com legumes, yorkshire pudding e molho gravy – prato principal das ceias natalinas.

É uma delícia, mas pode melhorar com um toque abrasileirado. Quando fui passar o Natal na casa da sogra, não queria cozinhar porque não tenho a menor vocação para a coisa, mas queria um prato que me lembrasse o Brasil. Apostei na farofa! Eles nem sabiam o que era, mas adoraram. Fica a dica para quem quiser levar um pouco de Brasil para sua família gringa.

Outra dica é não se afobar na hora de comer. Como muita coisa na Inglaterra, tem todo um protocolo para a ceia. Algo bem informal, claro, mas que ninguém come sem fazer antes, é abrir o seu cracker, uma embalagem de papel com estampa natalina, que mais parece um bombom gigante (ok, essa descrição não foi a melhor possível – veja foto abaixo), em que você puxa as pontas para abrir, sempre cruzando os braços com a pessoa que está ao seu lado na mesa.

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Prometo tirar fotos melhores na ceia de Natal na casa da sogra no ano que vem!

Dentro do cracker tem um presentinho, um papel com charadas/piadas e uma coroa de papel. Agora me fala se no Brasil você já ceou com uma coroa de papel na cabeça? Mas a diferença nas tradições está mesmo é nos detalhes, lembra?

E você? Acrescentaria alguma tradição diferente do Brasil ao comemorar o Natal no país em que vive? Tem alguma dica para quem passa a data longe da família? Compartilhe nos comentários!

*Texto originalmente publicado no Brasileiras pelo Mundo.

Entrevista: Ernani Lemos, jornalista e escritor

screenshot_20161201-201120Quando conheci o Ernani, me surpreendi pela sua simpatia. Aliás, a dele e a de sua mulher, a Juliana. Os dois são jornalistas, trabalham na Globo aqui em Londres. Ernani lançou um livro de crônicas recentemente, chamado Sobre os Outros, da Chiado Editora.

E olha só que engraçado: fiquei sabendo pelo Instagram da Juliana (aliás, como tenho conhecido gente bacana por lá!) e logo de cara perguntei se ele toparia me dar uma entrevista. Detalhe: conheci o perfil da Juliana, meses atrás, pelo Instagram da Karine, do blog Ká entre nós, com quem eu nunca falei mas sei muito sobre por ser leitora do blog.

E dias depois dessas conexões malucas (e deliciosas) que a internet nos traz, estávamos ali, no Made in Brasil Boteco, batendo papo. Era o lançamento do livro do Ernani e nem o tempo chuvoso impediu o público de lotar a casa. A entrevista ficou para a semana seguinte, e nos cinquenta minutos de conversa, refleti sobre essa coisa louca que é amar escrever, sobre a vida aqui em Londres e, claro, sobre os outros…..Afinal, é neles que podemos nos conhecer melhor. 

O resultado da nossa conversa está na página 10 da edição de dezembro do jornal Brasil Observer. 

Me diz o que achou depois. E, ah, se tiver a chance de ler, o livro é realmente muito bom!

Harry Potter and the Cursed Child – a peça! 

Nunca achei que 11 meses de espera valeriam tanto a pena. Comprei ingressos para ver Harry Potter and the Cursed Child em outubro de 2015 e dia 13 de novembro do ano seguinte seria o tão esperado dia.

Dia de se emocionar e relembrar momentos dessa história que me acompanha desde que eu tinha 10 anos. Algumas coisas a gente leva com a gente não pela história ou personagens em si, mas pelas pessoas que dividiram aquela fase com você.

Impossível não lembrar dos meus amigos da época do colegial ou das tardes que passei com minha irmã assistindo os filmes. Mais impossível ainda não amar a peça que conta a história de Harry, 19 anos depois do final do último livro/filme.

Com cinco horas de duração, a peça é dividida em duas partes. Há um break de quase 3 horas entre elas ou você pode ver em dias alternados.

Não vou contar aqui a história, aliás tem até uma hashtag para isso, a #keepthesecrets, que faz parte do roteiro e também já  dá a dica para quem viu ficar quieto e não estragar para quem ainda vai ver. Só posso dizer que sim, a produção é surpreendente!  Cheia de suspense e humor, J.K. Rowling conseguiu de novo encantar a menina de 10 anos, quase 19 anos depois.

Ah, e o melhor: dia  22 de novembro eles vão começar a vender ingresso para mais uma temporada, em 2017. Além disso, às sextas as 13h são disponibilizados ingressos por £40 – difícil de conseguir, mas vale a tentativa já que por esse preço você tem acesso acesso a ótimos lugares.

Se você estiver por Londres, não perca a chance de ver! Confira mais informações no site oficial da peça e veja algumas fotos abaixo:

Chegando ao teatro às 12h! Tickets em mãos!
Bar todo decorado dentro do teatro
Melhor relógio! ♡
Vista do nosso assento: ótima pelo preço que pagamos (apenas £30). Fotos da peça eram proibidas.
Harry por todos os lados dentro do teatro
Indo embora do teatro às 9h da noite, feliz da vida!